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Oficina Cultural Grande Otelo está abandonada

via Cruzeiro do Sul

Infiltrações, muita sujeira, paredes pichadas e com rachaduras, piso danificado e porão inundado. Essa é a situação do prédio histórico da Oficina Cultural Grande Otelo, na Praça Frei Baraúna. Segundo moradores e comerciantes da região, o imóvel está com a porta principal aberta há mais de quatro meses e há cerca de 15 dias, após um dos vendavais que atingiu Sorocaba, os tapumes que cercavam o local foram ao chão, e assim permanecem. A Secretaria de Cultura do Estado, órgão responsável pelo prédio, foi procurada para comentar a situação e apontar soluções. Em nota, a assessoria de imprensa do órgão diz que “será realizada uma vistoria pela Pasta a fim de averiguar as denúncias da reportagem sobre a situação do edifício“.

O governo do Estado de São Paulo (PSDB) confirmou que as obras de reforma estão paradas desde maio de 2015 devido à identificação de problemas estruturais na fundação e alegou que aguarda disponibilidade orçamentária para dar prosseguimento à obra. Enquanto isso, no local, é possível encontrar restos de comida e bebida, cobertores, colchões e até mesmo fezes. Por conta da falta de segurança, o prédio é usado como abrigo de moradores de rua. A situação foi confirmada por comerciantes que trabalham próximo ao local.

Um dos cômodos do porão está inundado, com muitas folhas de papel e lixo submersos. Outra escada que dá acesso ao subsolo desabou. Espelhos quebrados estão espalhados pelos corredores e no primeiro andar todos os banheiros estão depredados, sem torneiras e com vazamentos. Uma geladeira antiga e ao menos três televisões quebradas também foram abandonadas no prédio, construído em 1940 para abrigar o Fórum da Comarca de Sorocaba. O imóvel possui área total de 1.300 metros quadrados e em 2012 foi tombado pelo Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico de Sorocaba (CMDP) após um processo que demorou 15 anos.

Obras começaram em abril de 2014

As obras para restauração do prédio começaram a ser feitas em abril de 2014, quando a Oficina Cultural Grande Otelo completou 20 anos de atividades e, conforme o cronograma original, deveriam terminar em agosto de 2015. De acordo com a Secretaria de Cultura, uma avaliação técnica identificou que os problemas estruturais do edifício têm como causa primária o recalque e acomodação do solo, uma vez que as fundações dessa edificação são rasas. Também foi diagnosticada a instabilidade das paredes estruturais, que são feitas de tijolo maciço. A pasta nega que os problemas na estrutura do imóvel ofereçam risco iminente ao edifício, mas assinala que isso impede a continuidade das intervenções sem devida correção.

O governo estadual estima que, com a necessidade de novas intervenções, o valor necessário para a conclusão da reforma gire em torno de R$ 3,4 milhões, 126% a mais que os R$ 1,5 milhão previstos inicialmente. Até a interrupção das obras, segundo a pasta, foram gastos R$ 279 mil.

“Sempre foi bem simples, mas era bem cuidado” 

Dorli Nunes Junior, 43, que vive em situação de rua e trabalha na Frei Baraúna como lavador de carros, conta que desde que as obras de reforma foram paralisadas, o local permanece em desuso. Ele lamenta a situação e lembra que o espaço era importante para os artistas da cidade e também para o restante da população. “Sempre foi bem simples, mas era bem cuidado, os banheiros eram limpinhos e para a gente, que vive na rua, também era de grande valia porque eu conseguia pegar livros emprestados, cheguei a ler três em um só dia, conseguia ouvir música, enfim, era minha chance de ter ficar mais próximo da cultura“, recorda.

Trabalhando nos arredores da Oficina, um artista de rua, que preferiu não se identificar, contou que é comum a realização de ensaios fotográficos dentro do prédio. Na manhã de ontem, aliás, enquanto a equipe de reportagem estava no local, muitas flores estavam espalhadas pelo chão do imóvel, que também tem frases de protesto escritas nas paredes, como “Resista e Persista”. “Isso aqui deveria ser aberto para a comunidade, Sorocaba é uma cidade que precisa de cultura e os artistas vão acabar ocupando esse lugar, que é maravilhoso e está abandonado nessa situação extremamente triste“, disse.




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