Caio vai

Fórum Popular da Educação tenciona debate do PME

Em plena agitação em torno da aprovação do Plano Municipal de Educação, Sorocaba de Verdade entrevistou Caio Rennó, mestrando em Educação na UFSCar e pesquisador de ações coletivas pela educação, sobre o Forum Popular de Educação e os problemas da área.

SdV: Caio, como nasceu o Forum Popular da Educação e qual o impacto disso nas discussões do PME?

Caio Rennó: O Fórum Popular de Educação de Sorocaba origina-se pela mobilização em torno do processo de elaboração do Plano Municipal de Educação PME) de Sorocaba. Articulado em resistência à centralização do processo no Conselho Municipal de Educação (CME) e na Secretaria de Educação (SEDU), além das falhas de comunicação e divulgação para incitar a participação popular na elaboração do PME, mas também pelas falhas no modo como se deram as duas primeiras plenárias, o Fórum denunciou a impossibilidade de construção do PME participativo nestas condições. Isso ganhou visibilidade através das intervenções dos delegados do Fórum na segunda plenária (25/04), a qual o CME suspendeu em função da desestabilidade emocional e a perda de hegemonia. Com isso, a SEDU e o CME, observando o crescimento do Fórum em número de pessoas convergindo com as críticas, chamaram o Fórum para constituir a comissão organizadora da elaboração do PME, com número paritário de membros entre o Fórum e o CME, sendo 5 de cada grupo.

SdV: O que você espera dos debates deste fim-de-semana?

Caio Rennó:  Espero que os debates do final de semana possam garantir a diversidade de olhares e percepções de toda a educação de nosso município nas propostas de lei. Que o debate e o diálogo aconteçam e o respeito às diferentes concepções de educação e de mundo se tolerem. Ainda que o espaço de debates esteja longe do ideal – uma vez que poderiam ter começado há muitos meses envolvendo toda a comunidade das escolas, universidades, ongs, movimentos sociais, poder legislativo, judicial e executivo -, fizemos o que poderia ser feitos nas condições dadas para cumprir o prazo estabelecido pela lei do Plano Nacional de Educação.

SdV: O secretário José Simões foi substituído pelo prefeito justamente neste período de debates do PME. O que isso quer dizer?

Caio Rennó:  Não sabemos o que quer dizer a substituição, uma vez que o Flaviano já se manifestou a favor do processo como estava sendo conduzido pelo CME. Esta substituição nos surpreende mas não muda o caráter crítico e propositivo do Fórum, que está preocupado com o caráter democrático do processo mas também e resultado disso, o conteúdo do plano que determinará as diretrizes da educação para Sorocaba por 10 anos.

SdV: Quais são os grandes problemas da educação em Sorocaba?

Caio Rennó:  Sorocaba precisa garantir que a educação infantil deixe de ser um depósito de crianças. As faltas de vagas nas creches públicas está deixando os professores e gestores sobrecarregados, além da política de redução de custo com pessoal nestes espaços, substituindo professores por auxiliares e estagiários de baixa remuneração. As escolas de ensino médio noturno estão fechando salas e ignorando a evasão. As merendas nas escolas municipais e técnicas está comprometida sendo oferecido arroz com ovo ou bolacha e suco. A autonomia pedagógica não é incentivada, o que reproduz a lógica do apostilamento. Os Projetos Político-Pedagógicos ainda não são construídos por toda a comunidade e nem são colocados em prática. A gestão democrática escolar prevista pela Constituição de 1988, LDB de 1996 e o PNE, ainda está longe de ser realidade nas escolas em Sorocaba. Ainda há muitas questões que as famílias, os educadores e a comunidade passam e que precisam ser colocadas para serem tiradas do limbo que sustenta a educação de Sorocaba. O PME construído de maneira participativa é uma ótima estratégia para preencher lacunas de problemas sociais e propor políticas públicas para a educação como direito, como libertação da consciência, como formação humana.




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