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Em defesa de Sorocaba e da democracia

Editorial

Nesta quarta-feira, 11 de março, o Instituto Defenda Sorocaba publicou um manifesto sobre as manifestações dos próximos dias e sua relação com Sorocaba. Algumas coisas nos chamaram a atenção e merecem ser destacadas.

Conforme apuramos, a ideia do manifesto foi do presidente do IDS, Sergio Rezze, do Reitor da UNISO, Fernando Del Fiol, que, inclusive, o assina, do Prof. Aldo Vanucchi e do jornalista Djalma Benette. Dizendo-se preocupados com a quebra da ordem democrática, eles queriam que outras Universidades assinassem o texto, mas a UFSCar, a PUC e a UNESP se recusaram, pois, para referendar este manifesto, teriam de fazer uma discussão interna.

O manifesto acerta em defender uma “adequada reforma política” no país, porém, como não diz o que entende por uma reforma “adequada”, não sabemos o que o IDS realmente pensa sobre o assunto. SdV entende que este é o ‘vertice de nossos maiores problemas e, por isso, nos posicionamos contra a atual privatização da política brasileira e contra o financiamento empresarial de nossa democracia, assim como já têm se manifestado a CNBB e a OAB.

Sobre o manifesto do assinado pelo reitor da Universidade de Sorocaba, surgem algumas perguntas óbvias: que quebra da ordem democrática é essa, considerando que tivemos eleições há apenas 4 meses e posse dos governadores e da Presidenta há apenas 70 dias? Estariam eles se referindo às denúncias de corrupção e aparelhamento no Metrô de SP, na Sabesp e na Petrobrás? Ou ao risco de atuação militar dos Estados Unidos em países vizinhos ao Brasil que poderiam transbordar para dentro do Brasil, fragilizando nossas instituições e relações internacionais? Ou, ainda, ao surto de dengue em nossa cidade ou ao equivocado novo Plano Diretor de Sorocaba, que ampliará nossos problemas urbanos, reduzirá a permeabilização do nosso solo e também nossa já exígua zona rural?

Pelo tom do manifesto e pelas palavras escolhidas por seu redator, a intenção dos seus signatários é mais do que dizer que toda manifestação democrática terá apoio da UNISO e do IDS, mas, sobretudo, reatar o vínculo dessas instituições com a parcela da população que acredita que a marca de nossa cidade é ser “progressista e ordeira”.

Afinal, de que ordem estamos falando?

Sorocaba é um lugar onde a exclusão tem sido eloquente. Defender Sorocaba é denunciar a irresponsabilidade da gestão pública que tem nos colocado como um dos lugares de maior incidência de dengue do país. E, sejamos claros: não se pode apenas culpar a população pela dengue, mas, principalmente, exigir que a Prefeitura cumpra suas obrigações na prevenção e enfrentamento desse caos.

Defender Sorocaba é denunciar a desordem proporcionada pelas demissões na Coca Cola. Desordem, aliás, que deveria ser denunciada inclusive pela prefeitura e pela imprensa (que tem se mostrado mais interessada em quantificar a carência de latinhas do refrigerante do que na precarização dos direitos trabalhistas) e não somente pelo sindicato dos trabalhadores.

Por fim, reiteramos nosso apoio à luta democrática que ocorre cotidianamente por este país, em redes sociais, periferias e avenidas, contra o elitismo e a discriminação tão presentes em nossa história. Apoiamos todas as manifestações que buscam fortalecer nossa democracia, nossas instituições e o exercício da política como explicitação do dissenso respeitoso, e não como prática golpista de apropriação privada do interesse público.




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