Cidades Criativas SdV

E então, o que são Cidades Criativas?

Via Entre Esquinas

Para falar o que são Cidades Criativas, primeiro é interessante olhar para trás e analisar o processo histórico.

década de 80 foi a precursora do movimento de Cidade Criativa, sendo discutidos termos como cultura e artes. Com o tempo, as cidades foram se transformando; cidades industriais precisavam se reinventar, e a criatividade parecia ser a solução. Essa evolução foi dada principalmente pelo esforço da comunidade artística para provar seu valor econômico, como eles poderiam utilizar sua criatividade em prol da cidade e de sua economia.

A competitividade, até então baseada em capital financeiro e investimento, passa a ser baseada em inovação, com novos processos, métodos, tecnologia, eficiência, sustentabilidade e com as novas invenções, os direitos autorais.

A primeira definição de Cidade Criativa era “um lugar onde os artistas desempenhavam um papel central e onde a imaginação definia os traços e o espírito da cidade”. Mas com o tempo, as cidades perceberam que não apenas deveriam ser consequências de um processo criativo, mas também, a causa.

A cidade criativa é um sentimento (…) de que algo está acontecendo, de que algo poderia acontecer e de que esse algo será interessante. É um sentimento de movimento, de momentum – Peter Kageyama¹

Quais são as características de uma cidade criativa?

De acordo com Charles Landry ², “nosso sistema educacional é responsável em grande medida por quão criativos nós nos formamos”, assim, a base para a mudança das cidades é seu Sistema de Educação. Aulas e didáticas mais flexíveis resultam em alunos mais conscientes e participativos.

Além disso, a criação de formas de gestão e governança com nova mentalidade e mais flexibilidade também é de suma importância para a prosperidade econômica e estabilidade social, além da continuidade de suas estratégias entre mandatos e gestões. Cidades Criativas precisam ter uma liderança forte, não necessariamente vindo da esfera pública, podendo vir também de ativistas urbanos e agentes de mudança. Entretanto, essa governança precisa ser colaborativa, onde o público, o privado e a sociedade civil estejam interligados.

Podemos falar, então, de um “Ambiente Criativo“, onde pessoas encontram ambientes pré-condicionados, aguçando sua curiosidade e sua imaginação, e como consequência, aumentando a sua criatividade e ampliando os processos de inovação. As cidades devem, portanto, criar um ambiente agradável e atrativo para pessoas criativas, com espaços públicos e pontos de encontro, como praças, cafés e galerias de artes, além de boa arquitetura e edifícios históricos preservados, criando e incentivando conexões, identidades e a memória da população.

Como já foi falado em relação ao Outubro Urbano, “uma cidade deve possuir um bom design, pois assim, poderá contribuir para uma vida melhor de sua população”. Construir espaços espontâneos, sem atividades rígidas pré-estabelecidas, adicionar elementos arquitetônicos informais e instituições sociais nas redondezas, por exemplo, ajudam no planejamento urbano, levando espaços públicos mais vivos e estimulantes, e consequentemente, atraindo os chamados “trabalhadores do conhecimento”.

Toda cidade, independente de seu tamanho, tem potencial para ser criativa. Essa cidade se torna dinâmica, estimulando a mentalidade e a participação da população em assuntos políticos e urbanos, envolvendo-os em um sonho coletivo, uma causa comum. Esses lugares também possuem como semelhança a diversidade, igualdade de gênero, distribuição econômica e de emprego, habitação justa, além de sustentabilidade, segurança e mobilidade focada no pedestre, e não nos carros.

E a economia criativa?

Esses novos ares ajudam a trazer à tona a Economia Criativa, uma nova fonte de criação e agregação de valor, com raízes na Austrália, a partir da expressão Creative Nations, na década de 90. Essa economia engloba originalidade, inovação, cultura local e estimula mudanças organizacionais, políticas, econômicas e sociais através de atores como o governo, empreendedores, instituições e as chamadas “indústrias criativas” (setores criativos que estimulam a economia, como arquitetura, design, moda, serviços de computação e propaganda) . De acordo com Ana Carla Fonseca, “para chegar ao porto da Cidade Criativa, utilizar a bússola da Economia Criativa é uma excelente estratégia”.

Outro fator que ajuda na economia das cidades é o turismo. Cidades Criativas costumam atrair muitos turistas, que acabam ajudando em seu crescimento, na injeção de capital, no surgimento de hotéis e pousadas e consequentemente na criação de empregos. Entretanto, há de se ter cuidado com a gentrificação, pois a cidade pode acabar mudando completamente para se adaptar às necessidades dos turistas, fazendo com que o local perca sua identidade e os moradores se mudem.

¹ Peter Kageyama: co-fundador e produtor do Creative Cities Summit. E-mail: peter@creativecitiesproductions.com. Site: http://www.creativecitiesproductions.com

² Charles Landry: autoridade referencial em criatividade e seus usos e em como o futuro das cidades é moldado, ao se atentar à cultura de um local. É autor de The Art of City Making e de The Creative City: A Toolkit for Urban Innovators. E-mail: charleslandry@comedia.org.uk. Site:http://www.charleslandry.com

 

 




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