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Documentário “A noite do beijo: ontem e hoje” é lançado na cidade

via Cruzeiro do Sul

Do diretor Bruno Lottelli, o documentário “A noite do beijo – ontem e hoje”, será lançado na terça-feira (6), às 19h, no teatro do Sesc Sorocaba, com a proposta de estabelecer um diálogo entre diferentes gerações de jovens que participaram de momentos políticos marcantes da história de Sorocaba. A entrada é gratuita e os ingressos serão distribuídos com uma hora de antecedência na central de atendimento da unidade (rua Barão de Piratininga, 555).

A sessão de lançamento faz parte do projeto Cinecafé, do Sesc Sorocaba, e terá abertura do curta-metragem ficcional Um corpo no quintal, de Juca Mencacci. Após o filme, ambos os realizadores vão participar de um bate-papo com o público mediado pelo curador e cineasta Marcelo Domingues.

Realizado com apoio da Lei de Incentivo à Cultura (Linc) no edital de 2015, o documentário é inspirado no mítico episódio da Noite do Beijo, ocorrido na Sorocaba de fevereiro de 1981, quando o juiz substituto Manuel Moralles assinou uma portaria que proibiu “beijos cinematográficos” nos espaços públicos da cidade. No despacho, o magistrado determinou: “estão proibidos os beijos cinematográficos, em que as mucosas labiais se unem em expansão insofismável de sensualidade”. Contra essa decisão, um grupo de estudantes organizou uma manifestação nas ruas do Centro, que contaria com teatro, poesias e, claro, muitos beijos cinematográficos. O protesto reuniu cerca de 5 mil jovens e ficaria conhecido em todo o Brasil como “A noite do beijo”.

Mesmo sendo apontado como um dos momentos de resistência mais emblemáticos da história de Sorocaba, Lottelli assinala que a proposta do filme não foi apenas a de relembrar o episódio dos jovens que participaram da luta em prol da liberdade de expressão e da liberdade sexual, mas, principalmente, “cartografar os movimentos e os anseios da juventude sorocabana desde a década de 1980 até 2015”, comenta.

Aliás, o documentário já estava sendo rodado quando, no final do ano passado, o movimento estudantil protagonizou uma onda de ocupações em escolas do estado de São Paulo, inclusive em Sorocaba, em protesto contra a tentativa de reorganização escolar proposta pelo governo paulista. “É da natureza do documentário acompanhar o curso da história enquanto ela acontece”, justifica o diretor, citando que precisou fazer adequações no roteiro do filme.

O média-metragem tem 52 minutos de duração, formato padrão exigido pelas emissoras de televisão públicas e educativas e que, segundo Lottelli, também facilita sua exibição em salas de aula de escolas públicas. Antes da exibição aberta ao público, A noite do beijo – ontem e hoje já teve sessões de pré-estreia em 15 escolas públicas de Sorocaba — cinco a mais que o previsto nos projeto inicial –, atingindo mais de 1 mil alunos do Ensino Médio. “A recepção tem sido legal, porque o filme levanta discussões que os adolescentes se identificam”, avalia o diretor.

Com orçamento de R$ 31.370, considerado baixo para uma produção audiovisual deste porte, Bruno Lottelli afirma que está curioso para saber como será a recepção do público, mas defende que antes mesmo da estreia oficial, o filme conseguiu cumprir o que chama de dever artístico e político. “É um filme que transbordou e foi além das nossas expectativas.” Como exemplo, ele cita uma ação de contrapartida ao projeto, que ofereceu oficina gratuita de teatro e de produção audiovisual para mais de 20 adolescentes com idade entre 15 e 17 anos. Como resultado desta oficina, os próprios adolescentes produziram o documentário Ocupação Lauro Sanchez, que foi selecionado na 11ª Mostra de Cinema de Ouro Preto, em Minas Gerais.

A “cartografia” da juventude sorocabana é costurada por uma narrativa que mescla dramatizações encenadas por adolescentes e entrevistas com personagens que militaram durante a juventude, desde a Noite do Beijo até as ocupações escolares, passando por outros movimentos como o Fora Collor e Contracatraca. Segundo o diretor, o filme é desenvolvido a partir do registro de um encontro informal entre os amigos e ex-secundaristas Carlos Batistella, Fátima Vieira, Pedro Cadina e Marjorie Cadina, que foram os principais idealizadores da Noite do Beijo. “Este foi o primeiro encontro deles após 20 anos. As memórias vão vindo e eles vão revelando os detalhes… É um filme que deixa a mensagem que a juventude é um momento especial. É uma fase que mistura inexperiência com vontade de fazer”, conclui Lottelli.




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