casos-de-violencia-sorocaba

Casos de violência sexual a crianças e adolescentes dobram na cidade

via Cruzeiro do Sul

Os casos de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual que chegam aos três Centros de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) de Sorocaba mais que dobraram em 2016 no comparativo ao ano passado, com aumento de 145%. De acordo com Daniela Rolim Agostinho, coordenadora e psicóloga da unidade norte, entre janeiro e agosto 277 vítimas passaram pelo atendimento e foram encaminhadas aos Centros de Atenção Psicossocial Infância e Juventude (CAPS IJ). Ao longo dos 12 meses de 2015, o total de casos foi de 113.

Das 277 vítimas atendidas neste ano, 268 foram abusadas sexualmente (208 meninas e 60 meninos). Daniela apresenta também os casos de exploração sexual — quando a crianças e/ou adolescentes são usados com a intenção de se obter lucro ou benefício de qualquer espécie. Dos nove registros feitos nos Creas, seis envolvem meninos e três, meninas. “A exploração é ainda mais difícil de ser denunciada e muitas vezes está relacionada ao tráfico de drogas.” Em 2015, 106 casos de abuso foram atendidos, sendo 87 vítimas do sexo feminino e 19 do sexo masculino. Quatro garotas e três garotos foram violentados. “É importante destacar que embora as denúncias tenham aumentado em relação ao ano passado, ainda falta muito para que todos os casos sejam descobertos”, afirma Daniela.

Em todo o Brasil, no ano passado, mais de 17,5 mil crianças e adolescentes podem ter sido vítimas de violência sexual, quase 50 por dia durante um ano inteiro. Os números são relativos às denúncias feitas ao Disque-Denúncia Nacional (Disque 100) e foram apenas uma parcela das 80.437 registradas em 2015 contra essas faixas etárias. Em Sorocaba, explica Daniela, os casos chegam ao Creas através de encaminhamento do Conselho Tutelar, do Centro Hospitalar de Sorocaba (CHS) e também há a demanda voluntária, ou seja, pessoas que procuram o órgão diretamente.

No Conselho Tutelar de Sorocaba, segundo Lígia Guerra da Cunha Geminiani, presidente da instituição, 122 denúncias foram feitas entre janeiro e setembro e o mês com mais notificações foi agosto, com 23 casos. Ela afirma que todas as ocorrências que chegam ao Conselho são também registradas nas delegacias de polícia para abertura de inquérito e depois as vítimas passam por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).

Os três Centros de Atenção Psicossocial Infância e Juventude (CAPS IJ) que funcionam em Sorocaba atendem a média mensal de 51 crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. Segundo Suse Helena Pedroso Dias, médica psiquiatra e diretora clínica das unidades, até setembro foram mais de três mil procedimentos realizados, entre eles terapias de família e individuais.

Roberta Barbero Gabriotte, psicóloga e coordenadora do CAPS IJ Bem Querer, da zona leste, conta que na unidade, mensalmente são atendidas, em média, 43 vítimas. “É um número grande, mas ainda muito distante da realidade. A região que atendo, por exemplo, tem grande parte rural, e lá as agressões acontecem de forma silenciosa, não há denúncia.”




Sem comentários

Adicione um comentário