Capez

A ocupação dos estudantes resiste à sua ditadura na Assembléia Legislativa de São Paulo

Via Mídia Ninja

Fernando Capez (PSDB-SP) é o grande algoz dos estudantes organizados que ocupam a Assembleia Legislativa de São Paulo. O deputado estadual vem tramando cada vez mais para sufocar o movimento. As constantes ameaças de corte da alimentação, água e acesso aos banheiros, causam tensão entre os ocupantes, que resistem bravamente.

Além disso, ele decretou ponto facultativo na casa. Isso quer dizer que nenhum funcionário trabalha, inclusive os deputados, assim os estudantes não podem pressioná-los em seus gabinetes para abertura da CPI da merenda.

O deputado Zico Prado (PT-SP), se reuniu com Capez para suspender o corte das necessidades básicas dos secundaristas. “Ele esta impedindo a entrada dos funcionários e a minha própria entrada, porque estou contra ele. Ele quer matar vocês de fome e nós vamos impedir isso. Se acontecer algo, vamos acionar o ministério publico, tem crianças aqui dentro”, disse o petista.

Secundaristas pedem a prisão imediata dos responsáveis pela máfia da merenda
Secundaristas pedem a prisão imediata dos responsáveis pela máfia da merenda

Até agora, foram coletadas 25 assinaturas para instaurar a comissão parlamentar, sendo que é preciso 32. Os estudantes tabelaram os deputados indecisos e agora vão trabalhar para pressiona-los a também assinarem o requerimento.

“O Centro Paula Souza está ocupado, o Fernão Dias está ocupado, e ocupamos a Assembleia também, porque nós necessitamos dessa CPI implementada dentro dessa casa para prendermos e cassarmos esse ladrão que sabemos o nome e sobrenome mas ninguém quer falar”, disse a aluna Camila Lanes.

O presidente da ALESP fugiu dos estudantes durante a ocupação
O presidente da ALESP fugiu dos estudantes durante a ocupação

O ex-senador Eduardo Suplicy visitou a ocupação em solidariedade ao ato. Ele tem se posicionado a favor das manifestações que estão acontecendo nas escolas públicas estaduais desde que foi deflagrada a operação Alba Branca, em que foram descobertos possíveis contratos irregulares da merenda escolar em 22 cidades do estado.

Atos de outros movimentos se mobilizaram para prestar ajuda aos ocupantes. A torcida organizada Gaviões da Fiel, a Frente Brasil Popular, a União da Juventude Socialista (UJS), a Juventude do PT e lideranças políticas de todo o estado.

“Só saímos daqui com a CPI”

Durante a noite, os estudantes criaram seis comissões estratégicas para a organização da rotina da ocupação: segurança, alimentação, programação, negociação, limpeza e comunicação.

Para alimentação, os secundaristas vem pedindo doações pela página do Facebook, e coordenando outra de café – principalmente para quem vai virar a noite na segurança. Eles conseguiram pães com mortadela para o jantar. Os pais de alguns alunos devem ajudar também. Quem se solidarizar, eles pedem alimentos de fácil consumo, como bolachas e salgados.

A segurança foi separada em seis grupos, um com quatro pessoas e outros cinco com três, cada um responsável por uma entrada da sala Juscelino Kubitschek, onde estão acampados.

Pensando nas atividades culturais, a programação está articulando rodas de apresentação e poesia, no entanto inesperadamente o cantor e compositor Chico Cesar veio à ocupação e fez um show para os estudantes.

Chico Cesar apoiou o ato e se apresentou para os estudantes
Chico Cesar apoiou o ato e se apresentou para os estudantes

“O governo do estado tenta mais uma vez empurrar goela abaixo da sociedade a sua reforma, que nada mais é do que acirrar o sucateamento da educação pública. Então os estudantes vieram para dentro da assembleia para barrar esse caminho”, afirmou o artista.

Durante a madrugada eles improvisaram paródias de músicas populares introduzindo a temática do roubo da merenda e da educação estadual. “Mas seu moço / vou contar toda essa história / preciso então pra tu / apresentar como é a escola / essa chefia que é sem educação / mandou reprimir a educação / ela mandou reprimir o povo da ocupação”.

A frente da negociação foi a primeira, e foi criada para debater com os deputados o futuro do ato. A primeira reunião foi com Campos Machado (PDT-SP), em que houve muita tensão, no relato dos ocupantes. O deputado é contra a CPI e disse que “não assinei, nem vou assinar essa CPI”.

Mais tarde, o presidente da casa e principal acusado na máfia da merenda, Fernando Capez (PSDB-SP), recebeu a comissão. Ele se disse “envergonhado” com a situação, e ser o mais interessado na resolução do inquérito do MPF (apesar das denúncias que pesam sobre o seu ex-chefe de gabinete, Alexandre Zakir, de obstrução das investigações).

Nessa conversa foram definidos os encaminhamentos da noite:

– A polícia não pode entrar na ocupação até a próxima reunião que será pela manhã;

– Manutenção da água;

– Acesso a um banheiro.

As ações na comunicação foram orgânicas desde o início, mas com o tempo passaram a se concentrar na página da ocupação. Foi elaborada uma carta com as principais reivindicações do manifesto e também um texto viral para WhatsApp.

“A nossa responsabilidade é transmitir a verdade do que está acontecendo na ocupação”, diz Angela Meyer, que integra o grupo da comunicação.

A todo momento são lançadas novas ações, com depoimentos em vídeo e transmissões ao vivo.

C




Sem comentários

Adicione um comentário